Carisma e Espiritualidade Frater Kerigma
Os carismas e espiritualidades das famílias cristãs, suscitadas pelo Espírito Santo na Igreja, que nos levam a um só coração em Cristo, a Família Frater Kerigma reune todos aqueles membros do Povo de Deus, leigos, religiosos e sacerdotes, que se sentem chamados ao seguimento do Cristo, à maneira do carisma e espiritualidade própria desta comunidade. Por modos e formas diversas, mas em recíproca comunhão vital com a Igreja de Cristo que é Católica, Una, Santa, Apostólica e Romana. O Carisma que brota do coração de Deus através do fundador da Comunidade Frater Kerigma tornou-se meio para a vivência radical do batismo, sendo caminho de Vida Eterna para seus membros, que é: Anunciar o Evangelho de Jesus Cristo através dos meios de comunicação, com um profundo Amor e Respeito pela pessoa humana. Como espiritualidade: Adoração a Jesus Sacramentado, uso constante dos dons e carismas do Espírito Santo e devoção a Anunciação do Senhor. O que nos une é o chamado que o Senhor nos fez para entregarmos nossas vidas a Ele vivendo, na adoração ao nosso Deus amado Rei e Senhor de nossas vidas, no anúncio explícito de Jesus Cristo, a consumirmos nossas vidas em uma consagração na Igreja e para a Igreja. Somos um só povo a caminho da santidade, não por imposição, mas por vocação.
Todos os que amam o Senhor, de todo coração, de toda o alma e de toda a mente, com todas as suas forças (Mc 12,30) e amam o seu próximo como a si mesmos (Mt 22,39), e odeiam o próprio corpo com seus vícios e pecados, e que recebem o Corpo e o Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo e fazem dignos frutos de penitência: quão felizes são estes e estas que assim agirem e perseverarem até o fim, porque sobre eles repousará o Espírito do Senhor (Is 11,2) e Ele fará neles sua habitação e sua morada (Jo 14,23), e eles são filhos do Pai celestial (Mt 5,45) cujas obras fazem e são esposos, irmãos e mães de Nosso Senhor Jesus Cristo (Mt 12,50).
Somos esposos, quando a alma fiel está unida a Nosso Senhor Jesus Cristo pelo Espírito Santo.
Somos seus irmãos, quando fazemos a vontade do Pai, que está nos céus (Mt 12,50). Somos mães, quando o trazemos em nosso coração e em nosso corpo (ICor 6,20) pelo amor divino e por uma consciência pura e sincera; e o damos à luz pelas obras santas que, pelo exemplo, devem ser luz para os outros (MI 5,16).
Como é honroso ter no céu um Pai santo e grandioso! Como é santo ter um tal esposo, consolador, belo e admirável Como é santo e como é amável ter um tal irmão e um tal filho agradável, humilde, pacífico, doce, amável e sobre todas as coisas desejável: Nosso Senhor Jesus Cristo que entregou sua vida por suas ovelhas (Jo 10,15) e por nós orou ao Pai, dizendo: “Pai santo, guarda-os em teu nome (Jo 17,11), os que me deste no mundo; eram teus, mas tu m’os deste (Jo 17,6). E as palavras que me deste, eu as dei a eles e as receberam e creram em verdade que saí de ti e conheceram que tu me enviaste (Jo 17,8). Rogo por eles, não pelo mundo (Jo 17,9). Abençoa-os e santifica-os (Jo 17,17) e por eles eu próprio me santifico (Jo 17,19). Não rogo somente por eles, mas também por quantos hão de crer em mim mediante a palavra deles (Jo 17,20), para que sejam santificados na unidade (Jo 17,23), como nós (Jo 17,11). Pai, quero que, onde eu estou, eles estejam comigo para que vejam a minha glória (Jo 17,24) no teu reino” (Mt 20,21). Amém. (EXORTAÇÃO DE SÃO FRANCISCO AOS IRMÃOS E IRMÃS SOBRE A PENITENCIA).
Na escola de Maria, mulher ‘Eucarística”!
Se quisermos redescobrir em toda a sua riqueza a relação íntima entre a Igreja e a Eucaristia, não podemos esquecer Maria, Mãe e modelo da Igreja. Na carta apostólica Rosarium Virginis Marice, depois de indicar a Virgem Santíssima como Mestra na contemplação do rosto de Cristo, inseri também entre os mistérios da luz a instituição da Eucaristia. (102) Com efeito, Maria pode guiar-nos para o Santíssimo Sacramento porque tem uma profunda ligação com ele.
À primeira vista, o Evangelho nada diz a tal respeito. A narração da instituição, na noite de Quinta-feira Santa, não fala de Maria. Mas sabe-se que Ela estava presente no meio dos Apóstolos, quando, unidos pelo mesmo sentimento, se entregavam assiduamente à oração (At 1,14), na primeira comunidade que se reuniu depois da Ascensão à espera do Pentecostes. E não podia certamente deixar de estar presente, nas celebrações eucarísticas, no meio dos fiéis da primeira geração cristã, que eram assíduos à fração do pão (At 2,42).
Para além da sua participação no banquete eucarístico, pode-se delinear a relação de Maria com a Eucaristia indiretamente a partir da sua atitude interior. Maria é mulher eucarística na totalidade da sua vida. A Igreja, vendo em Maria o seu modelo, é chamada a imitá-La também na sua relação com este mistério santíssimo.
Mysterium fideil se a eucaristia é um mistério de fé que excede tanto a nossa inteligência que nos obriga ao mais puro abandono à palavra de Deus, ninguém melhor do que Maria pode servir-nos de apoio e guia nesta atitude de abandono. Todas as vezes que repetimos o gesto de Cristo na Ultima Ceia dando cumprimento ao seu mandato: “Fazei isto em memória de Mim”; ao mesmo tempo acolhemos o convite que Maria nos faz para obedecermos a seu Filho sem hesitação: “Fazei o que Ele vos disser” (Jo 2, 5). Com a solicitude materna manifestada nas bodas de Caná, Ela parece dizer-nos: Não hesiteis, confiai na palavra do meu Filho. Se Ele pôde mudar a água em vinho, também é capaz de fazer do pão e do vinho o seu corpo e sangue, entregando aos crentes, neste mistério, o memorial vivo da sua Páscoa e tornando-se assim pão da vida.
De certo modo, Maria praticou a sua fé eucarística ainda antes de ser instituída a Eucaristia, quando ofereceu o seu ventre virginal para a encarnação do Verbo de Deus. A Eucaristia, ao mesmo tempo que evoca a paixão e a ressurreição, coloca-se no prolongamento da encarnação. E Maria, na anunciação, concebeu o Filho único também na realidade física do corpo e do sangue, em certa medida antecipando n’Ela o que se realiza sacramentalmente em cada crente quando recebe, no sinal do pão e do vinho, o corpo e o sangue do Senhor.
Existe, pois, uma profunda analogia entre o fiat pronunciado por Maria, em resposta às palavras do Anjo, e o amém que cada fiel pronuncia quando recebe o corpo do Senhor. A Maria foi-Lhe pedido para acreditar que Aquele que Ela concebia por obra do Espírito Santo era, o Filho de Deus (cf. Lc. 1,30-35). Dando continuidade a fé da Virgem Santa, no mistério eucarístico e nos pedidos para crer que aquele mesmo Jesus, Filho de Deus e Filho de Maria, se torna presente nos sinais do pão e do vinho com todo o seu ser humano divino.
“Feliz d’Aquela que acreditou” (Lc 1,45): Maria antecipou também, no mistério da encarnação, a fé eucarística da Igreja. E, na visitação, quando leva no seu ventre o Verbo encarnado, de certo modo Ela serve de sacrário o primeiro sacrário da história, para o Filho de Deus, que, ainda invisível aos olhos dos homens, se presta à adoração de Isabel, como que “irradiando” a sua luz através dos olhos e da voz de Maria. E o olhar extasiado de Maria, quando contemplava o rosto de Cristo recém-nascido e o estreitava nos seus braços, não é porventura o modelo inatingível de amar a que se devem inspirar todas as nossas comunhões eucarísticas?
Ao longa de toda a sua existência ao lado de Cristo, e não apenas no Calvário, Maria viveu a dimensão sacrificial da Eucaristia. Quando levou o menino Jesus ao templo de Jerusalém, para o apresentar ao Senhor (Lc 2, 22), ouviu o velho Simeão anunciar que aquele Menino seria sinal de contradição e que uma espada havia de trespassar também a alma d’Ela (cf. Lc 2, 34-35). Assim foi vaticinada o drama do Filho crucificado e de algum modo prefigurado o “stabat Mater” aos pés da Cruz. Preparando-Se dia a dia para o Calvário, Maria vive uma espécie de Eucaristia antecipada, dir-se-ia uma comunhão espiritual de desejo e oferta, que terá o seu cumprimento na união com o Filho durante a Paixão, e manifestar-se-á depois, no período pós-pascal, na sua participação na celebração eucarística, presidida pelos Apóstolos, como memorial da Paixão.
Impossível imaginar os sentimentos de Maria, ao ouvir dos lábios de Pedro, João, Tiago e restantes apóstolos as palavras da Ultima Ceia: ” Isto é o meu corpo que vai ser entregue por vós” (Lc 22, 19). Aquele corpo, entregue em sacrifício e presente agora nas espécies sacramentais, era o mesmo corpo concebido no seu ventre. Receber a Eucaristia devia significar para Maria quase acolher de novo no seu ventre aquele coração que batera em uníssono com o d’Ela e, reviver o que tinha pessoalmente experimentado junto a Cruz. “Fazei isto em memória de Mim” (Lc 22,19). No memorial do Calvário, está presente tudo o que Cristo realizou na sua paixão e morte. Por isso, não pode faltar o que Cristo fez para com sua Mãe em nosso favor. De fato, entrega-Lhe o discípulo predileto e, nele, entrega cada um de nós: “Eis aí a teu filha”. E de igual modo diz a cada um de nós também: “Eis aí a tua mãe” (cf. Ja 19,26 - 27).
Viver o memorial da morte de Cristo na Eucaristia implica também receber continuamente este dom. Significa levar conosco, a exemplo de João, Aquela que sempre de novo nos é dada como Mãe. Significa ao mesmo tempo assumir o compromisso de nos conformarmos com Cristo, entrando na escola da Mãe e aceitando a sua companhia. Maria está presente, com a Igreja e como Mãe da Igreja, em cada uma das celebrações eucarísticas. Se Igreja e Eucaristia são um binômio indivisível, o mesmo é preciso afirmar do binômio Maria e Eucaristia. Por isso mesmo, desde a antiguidade é unânime nas Igrejas do Oriente e do Ocidente a recordação de Maria na celebração eucarística.
Na eucaristia, a Igreja une-se plenamente a Cristo e ao seu sacrifício, com o mesmo espírito de Maria. Tal verdade pode-se aprofundar relendo o Magnificat em perspectiva eucarística. De fato, como o cântico de Maria, também a Eucaristia é primariamente louvor e ação de graças. Quando exclama: “A minha alma glorifica ao Senhor e o meu espírito exulta de alegria em Deus meu Salvador”, Maria traz no seu ventre Jesus. Louva o Pai, por Jesus, mas louva-O também ,em Jesus e com Jesus. E nisto precisamente que consiste a verdadeira atitude eucarística.
Ao mesmo tempo Maria recorda as maravilhas operadas por Deus ao longo da história da salvação, segundo a promessa feita aos nossos pais (cf. Lc 1, 55), anunciando a maravilha mais sublime de todas: a encarnação redentora. Enfim, no Magnificat está presente a tensão escatológica da Eucaristia. Cada vez que o Filho de Deus se torna presente entre nós na pobreza dos sinais sacramentais, pão e vinho, é lançado no mundo o germe daquela história nova, que verá os poderosos derrubados dos seus tronos e exaltados os humildes (cf. Lc 1, 52). Maria canta aquele novo céu e aquela nova terra, cuja antecipação e em certa medida a síntese programática se encontram na Eucaristia. Se o Magniticat exprime a espiritualidade de Maria, nada melhor do que esta espiritualidade nos poder ajudar a viver o mistério eucarístico. Recebemos o dom da Eucaristia, para que a nossa vida, à semelhança da de Maria, seja toda ela um magnificat como no capítulo VI da carta.
Encíclica Ecclesia de Euchoristia do sumo Pontífice João Paulo II aos Bispos, aos Presbíteros e Diáconos, às pessoas consagradas e a todos os fieis leigos sobre a Eucaristia na sua relação com a Igreja.






